Antes de mais nada, não quero que a Ana fique se achando, pensando que estou voltando a escrever por conta dela. Quero voltar a escrever sem comentários a respeito de meu silêncio nesses últimso 30 dias.
Estava escutando “Let It Be” dos Beatles estes dias e comentei com um amigo que era um dos dois álbuns mais sensacionais do quarteto (o outro é Abbey Road), somente para ouvir o comentário raivoso: “Quê isso!!! O melhor é Seargent Pepper’s!!!”
Eu até gosto do sargento pimenta, mas sou fascinado pelos dias finais dos Beatles, que sempre são mal contados.
Para começar, para o pessoal que nasceu de 1980 em diante, é bom saber que os Beatles foram muito mais que a banda mais famosa do rock. Eles revolucionaram a maneira de se fazer música e de se comportar, e pagaram um preço alto por isso.
Eles não se separaram por conta de Yoko Ono, que isso fique claro. Mas a presença dela nas gravações do álbum “Let It Be” violava uma regra implícita no grupo, desde os primeiros dias: Nada de namoradas, mulheres e etc durante o trabalho. Lennon violou a regra e provocou a ira de um grupo que já não caminhava mais junto.
Estou escrevendo para contar do que vi no filme Let It Be, que acabei de assistir a pouco. Impressionante, a tensão estava no ar. todos nervosos e querendo estar fora dali, mas produzindo música de qualidade. O show no teto do edifício da Apple Records foi um revival, para uma banda que não tocava para o público desde 1966 (o show no teto foi em 1969) e ao mesmo tempo um grand finale (depois eles falaram que queriam sair algemados pela polícia, mas somente foram solicitados a parar com o barulho).
A presença de Yoko no filme é irritante, apesar de não se ouvir a voz dela. Ela está sempre ao lado do John Lennon, como um cão de guarda. Quem conhece a história de Lennon, sabe que nessa época ele estava emocionalmente fragilizado, depois da volta de uma viagem à Índia. E ela parece se aproveitar disso, sempre sussurando no seu ouvido, dando dicas e seguindo ele aonde ele ia. Irritante, ou como disse no título: um saco.
Reza a lenda que McCartney cantava Get Back olhando para ela. Não vi isso, mas é muito fácil ver que a banda não sobreviveria depois daqueles dias. George Harrison ainda tentou sair durante aqueles dias, mas os outros o convenceram a ficar. Alguns meses depois eles gravaram Abbey Road e logo depois, Lennon largou a caneta. A última música gravada por eles foi “I Me Mine”, já sem Lennon, e lançada no Let It Be, que foi lançado após o Abbey Road, apesar de ter sido gravado antes.
Não basta ser genial, precisa muito mais que isso para ser um artista completo e conseguir conviver com outras pessoas normalmente. Lennon não conseguia mais isso, e o fato dos quatro terem começado muito inexperientes musicalmente foi crucial para a separação. O sucesso não permitiu a chegada da maturidade musical de uma forma tranquila.
Nunca vai haver outra banda igual, tanto pelo lado bom como pelo lado ruim da afirmação.
Vale o sacrifício de achar e ver o filme Let It Be, procurem.
Amplexos.


2 Comments
Já não era sem tempo!! Seja bem vindo de volta e embora você tenha tentado negar veementemente minha participação no seu retorno, meu ego é exacerbado demais para que eu consiga deixar de reconhecer meu triunfo!
Beijocas…
Pois é, bicho…
O mundo moderno deveria se dividir em A.B e D.B., Antes dos Beatles e Depois dos Beatles.
Que inveja que eu sinto do meu pai, se penso que ele viveu aquela época todinha….
E pra terminar o meu pitaco: nem Let it Be, nem Sargento Pimenta: o bom mesmo é Revolver (Tomorrow Never Knows é *o* hino!!!).
Beijos e cheiros.