Novela Hospital Vita - Parte II - Os Dias na UTI

Então me internaram. E na UTI cardiológica, para verificar se não era um problema cardiológico ou neurológico (nessa altura eu já tinha feito dois ECG e nenhum tinha acusado nada). Durante a entrada, quando me colocaram na cama, instalaram os monitores e fizeram a medicação inicial, minha opinião até que foi positiva. As enfermeiras super atenciosas, eficientes, o local bem organizado, enfim, me senti seguro de que ia ser bem tratado.

Ledo engano. O médico de plantão não era o médico que tinha ficado responsável pela minha internação, e tinha de pedir benção para tudo que fazia para o outro (mais sobre isso depois). Nenhum exame foi feito, nenhum neurologista ou pneumologista conversou comigo. Quebrei a costela e ninguém nem me perguntou o porque da dor, nem me examinaram. Me deram um analgésico e só.

Domingo, dia 30/12. O médico responsável pela minha internação deu as caras e me falou que ainda está esperando a avaliação do neurologista, que não apareceu (só apareceria na segunda-feira). O dia passa com dois exames de sangue e só. À noite, ligam o ar condicionado e tenho uma crise de tosse que dura duas horas, secundado por uma das enfermeiras que teve de ser medicada por uma crise de rinite alérgica. Será que estava sujo o ar condicionado da UTI cardiológica do Hospital Vita?

Segunda, dia 31/12. Dois desmaios seguidos logo de manhã. Avaliação da Neurologista que confirma o que já tinham dito na emergência. Não tenho  nada neurológico, nem cardíaco. Meu problema é uma reflexo Vaso-Vagal provocado pelas crises de tosse. Preciso de um penumologista. Mas o hospital simplesmente não consegue falar com nenhum pneumologista. Me dizem que não há nenhum na cidade e o plantonista deles desligou o celular!

Terça, dia 01/01/08. Após o meu intenso reveillon, o médico vem me dizer que com certeza no dia seguinte o pneumologista virá me avaliar. Iso após dizer à minha irmã, pelo telefone, que eu já tinha feito uma espirometria e que já tinha sido avaliado pelo pneumologista. Mais um dia sem que nada aconteça para descobrirem o que tenho.

Quarta, dia 02/01/08. Nada de pneumologista. Ao fim do dia, alta da UTI. Vou para um quarto. Mal entrei no quarto, minha garganta fechou, e comecei a respirar mal. O ar pesado, com forte cheiro de desinfetante e com aquela sensação de lugar fechado há tempos. Minha mãe, que estava comigo, matou uma barata. Sim UMA BARATA dentro de um quarto de hospital. Nem preciso dizer que minha noite foi muito ruim, com dificuldade de respirar e muita tosse.

Quinta, dia 03/01/08. Logo de manhã, desmaio durante o café. Volto para a UTI. A psicóloga vem falar comigo, crente que vai me consolar e me dar apoio emocional. Desfio para ela os absurdos que estavam fazendo comigo até então, exigo providências. Logo depois, minha família faz o mesmo com ela lá fora. Nada de pneumologista. E, pasmem: Obras dentro da UTI! Eu e mais dois pacientes com problemas respiratórios, aguardando um pneumo e um rapaz lixando as paredes e pintando a UTI! E a noite o médico tenta me transferir para o box que tinha sido pintado. Eu me recusei a ir e quase criei uma revolução na UTI.

Sexta, dia 04/01/08. O dia começa com o stress da obra. Apesar de minhas reclamações, o rapaz volta. Tive de ser grosseiro com a enfermeira chefe do plantão para conseguir tirar o rapaz de lá.Finalmente um penumologista. Cara de residente. Conversa comigo, me avalia e, quando pergunto o plano de ação, ele me diz que vai ligar para o chefe da pneumologia e somente depois ele vai ter uma noção do plano de ação (ouch!). Sintome-me ludibriado. Alta para o quarto novamente. Desta vez, talvez pela pressão que vínhamos fazendo nas reclamações, o quarto é maior, mais arejado, e mais confortável que o outro. E principalmente, limpo e sem baratas.

Talvez muitos de vocês já tenham visto atendimento pior em hospitais pelo Brasil, principalmente pelo SUS. Mas esse não era um hospital público. Era um hospital que se auto entitula um dos melhores de Curitiba, e que é conhecido pelo Brasil como um excelente hospital.

Como pode um hospital não ter um penumologista de plantão, com a mera desculpa que é fim de ano? Como pode uma UTI ser reformada com doentes dentro dela? Como pode um médico mentir para o paciente, para outro médico (minha irmã é médica), e nem se dar ao trabalho de contar a mesma mentira para os dois? Como pode aparecer uma barata em um quarto de hospital? Não há justificativa plausível para estes acontecimentos. O duroé que a desorganização do hospital continuou. Nos próximos artigos eu conto o desfecho dessa aventura.

Amplexos.

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4 Comments

  1. Haji
    Posted Tuesday, 22 July, 2008 at 15:00 | Permalink

    Oi,
    Já utilizei o VITA e gostaria de saber sobre o desfecho deste problema. Além das reclamações feitas para os próprios funcionários, algum familiar seu tentou o SAC? Adiantou?
    Abs!

  2. CLAUDIA
    Posted Thursday, 24 July, 2008 at 11:50 | Permalink

    Li seu desabafo e trabalho na area hospitalar, sei da batalha que estamos enfrentando em busca do Selo de Acreditação e ocorreu no dia 24 de junho a cerimônia oficial de entrega do Certificado de Acreditação Internacional Canadense ao Hospital VITA Curitiba. Não consigo entender como um Hospital que recebeu o Selo possa ter agido assim.
    Diariamente enfrentamos problemas e acredito que tudo deva ser dosado de bom senso.
    O SAC deveria solucionar todas as suas dúvidas e frustrações, se não obteve sucesso na primeira vez..insista ok?

    abr

  3. fernanda
    Posted Thursday, 24 July, 2008 at 11:57 | Permalink

    Anciosa para saber como termina

  4. Posted Thursday, 24 July, 2008 at 20:22 | Permalink

    A todos que comentaram. Acabei de postar a última parte da história. Fiquem à vontade.

    Amplexos.

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