A História da Dave Matthews Band - Parte V

A Despeito de todos que disseram que eu era preguiçoso e não ia terminar isso nunca, aí está. Terminei de traduzir a quinta e última parte

A História da DMB: Parte V
Por Jake Vigliotti/Tradução de Marcelo Rosa
24/07/07
Capítulo V

Notadamente a maior coisa que aconteceu à DMB aconteceu em 1995. Foi um tiro n’água nos primeiros show, mas acabou tendo um profundo efeito em alguns fãs. Os fãs não podiam mais gravar os shows diretamente da mesa de som. Até então, qualquer um poderia simplesmente plugar o seu gravador na mesa de som e pegar o melhor som possível do show. Conforme a banda ia ganhando fama, os fãs iam “cascateando” os gravadores para pegar o som da mesa. E aquilo acabou terminando por um único motivo: bootlegs. (Nota do Pistache: o termo bootleg se refere a uma gravação não autorizada com intenção comercial)

Lojas de discos independentes sempre venderam gravações de fãs depois que a DMB ganhou popularidade. Mas depois do lançamento de Under The Table And Dreaming o volume de bootlegs aumentou absurdamente. Vamos entender. O ano era 1995: os computadores da época até podiam ter leitores de CD (muito raro no Brasil), mas os gravadores custavam mais de US$1000,00. Gravações em CD dos shows eram raras por isso. Os piratas (bootleggers) mais espertos copiavam os show em CD de baixa qualidade para manter os custos baixos e os vendiam a lojas de discos, que revendiam como “importados” por mais ou menos US$30,00 cada. A DMB ajudou o FBI em blitz em lojas, e, por algum tempo, foi a escória das lojas independentes. Algumas inclusive não ofereciam para venda os CD legítimos da DMB. Tudo porque eles protegeram seu produtoe e impediram a venda de discos ilegais.

Algumas repercussões: Os fãs não podiam mais se conectar à mesa de som (mas podiam ainda gravar os shows), mas, apesar de diminuir os bootlegs, isso fez o custo de gravação aumentar. O equipamento necessário para uma boa gravação chegava a custar cerca de US$1000,00. A qualidade das gravações, por conseqüência, caiu bastante, especialmente para os que não sabiam da proibição.

Para evitar os últimos resquícios de pirataria, os administradores da DMB (e algumas vezes Coran Capshaw, gerente da banda, pessoalmente) pediam aos fãs que não distribuíssem as fitas. A grande maioria obedecia.

A DMB embarcou em sua maior turnê, ainda no início de 1995. Uma turnê em companhia de Big Head Todd and the Monsters, que passaria por praticamente todos os EUA. Aonde a DMB fosse mais popular, eles seriam a atração principal, nos outros locais, o Big Head Todd seria o principal. Esse era o plano inicial, porque logo após alguns shows, ficou claro que a DMB era a atração principal da turnê. Não porque fossem mais populares, mas porque sabiam como fazer um show. Nada contra a outra banda (Nota do Pistache: que diabo de banda é essa?), mas isso se dava porque a DMB nasceu ao vivo e sabia como ninguém colocar um show na estrada. Quando chegaram na costa Oeste, DMB já era o ato principal, e Big Head Todd abria todos os shows, mesmo sendo menos conhecida lá.

Mesmo indo bem na turnê, os negócios não iam muito bem para a DMB. Sofreram uma ação judicial de um antigo amigo chamado Ross Hoffman, pelo controle parcial das músicas que Dave compunha (por conta de um contrato de 1991). Eles fizeram um acordo, mas dessa experiência saiu uma das canções mais populares da DMB (#41).

Um pouco antes da turnê pelo país, a DMB mostrou sua habilidade tocando alguns shows acústicos. Os primeiros foram em Richmond, com a Richmond Symphony Orchestra. Um antigo amigo (John D´earth) traspôs as músicas da DMB para orquestra e eles tocaram esses arranjos em duas noites. Pelas limitações da orquestra, que somente podia aprender algumas músicas por vez, esses dois shows foram o mais perto que a DMB chegou de tocar o mesmo setlist mais de uma vez.

Eles fizeram também um show acústico em New York, que foi notadamente onde uma de suas músicas mais populares, apesar de pouco tocada, nasceu: #40.

A gravação mais famosa de #40 foi feita em um dos mais famosos shows da DMB até agora. Enquanto estavam em turnê com Big Head Todd na Costa Oeste, a DMB fez um show em uma rádio, promovendo a turnê. Eles foram para Oakland fazer um pequeno show na frente de uma pequena platéia, selecionada em um concurso da rádio KFOG. Dave estava gripado, mas, apesar disso, a banda, com equipamento acústico, tocou em um sushi Bar chamado Yoshi’s.

Apesar de todos os pesares, as estrelas entraram em conjunção e eles fizeram um grande show, algumas vezes considerado o melhor de todos. Os arranjos delicados de Jimi Thing, Tripping Billes, e Recently surpreendeu os fãs. #40 e a nova Don’t Burn The Pig finalizaram a tarde envolvente.

No fim de Maio, a DMB fez seua primeira aparição em Las Vrgas. Eles abriram os shows do The Grateful Dead por três noites. Apesar dos shows curtos, como sempre eles surpreenderam, e conquistaram alguns fãs mais velhos. Também foi o maior palco e a maior audiência da DMB até o momento.

Eles também tocaram na turnê H.O.R.D.E. , mostrando seu som para novos fãs, e viajando pelo Texas para uma turnê. E durante todo este tempo, eles trabalhavam em suas novas músicas (#41, Proudest Monkey, Don’t Burn The Pig), preparando-se para o seu segundo álbum.

Novamente, como tinham feito no passado, eles arriscaram em tocar músicas completamente novas nas turnês. É um presente para os fãs ver o processo de maturação da música. Por exemplo, #41 foi tocada em primeiro lugar no dia 7/04/1995, e no momento em que gravaram no álbum, a música estava totalmente diferente, no estilo que conheçemos hoje. Ao invés de “esconder” a música, ou só tocá-la nos testes de som, a DMB tocava todas as noites, experimentando.

Esa atitude tinha um outro efeito na música; dexava os fãs ouvirem as primeiras versões e facilitava a decisão de qual delas seria a melhor. É claro que quando alguém adora uma versão específica, as outras versões “não funcionam”. Esse é o paradoxo da música da DMB; os fãs não têm somente músicas favoritas, mas também têm versões favoritas das músicas (nota do Pistache: procurem a versão de Angel ao vivo com as Lovely Ladies).

Enquanto o verão chegava ao seu final, a DMB ia de volta para o estúdio tentar seu segundo álbum em uma grande gravadora. Novamente, o estado de Nova York seria o local, mas seria diferente da vez anterior. Eles iam reciclar alguns favoritos, mas também tinham algumas músicas novas a tentar.

Ainda no estúdio, eles entraram em uma sessão de composição, pela primeira vez. Crash Into Me, Deed Is Done, and Too Much vieram desta tentativa.

Enquanto estavam em estúdio, a banda tocou um show de improviso para testar algumas músicas no palco. Já que este seria a primeira vez que a DMB ia lançar um disco com músicas escritas no estúdio, para ter certeza que estavam agradando, eles as testaram em Woodstock em Outubro. Versões prliminares de Too Much e #41 foram as estrelas do show, junto com Deed Is Done, que não entrou no álbum.

As gravações foram bem diferentes das gravações do disco anterior; um grande número de músicas foram testadas em estúdio. A DMB basicamente testou tudo que tinha de repertório, e, mesmo tendo feito sessões enrte Setembro e Outubro de 95, o álbum só saiu em Fevereiro de 96. Uma grande favorita, Tripping Billies, entrou no álbum, quando o plano original era colocá-las somente na versão européia. True Reflections - uma música de Boyd muito popular entre os fãs naquela época – era um esboço para o álbum. Outra música que todos esperavam, mas que foi cortada foi #36. Essa música, infelizmente se metamorfoseou em Everyday. Eles tinham músicas para fazer um álbum duplo, mas foram cortando para o que conhecemos agora como Crash.

Eles seguiram as sessões de estúdio com uma turnê incluíndo algumas músicas das gravações, mesmo aquelas que não entraram no disco. Como já tinha ocorrido em cidades menores, os fãs adoraram as novas músicas, e a reputação da DMB aumentou.

Depois de 1995, qualquer pequena chance da DMB permanecer como uma pequena banda regional estava oficialmente descartada. Sua popularidade era nacional, e as vendas de Crash iriam comprovar isso. O que começou com um garoto magrelo, com sotaque forte, procurando dois músicos conhecidos com uma fita com algumas músicas, se tornou, em cinco anos, uma banda de projeção nacional. Tiveram muitos altos, e certamente grandes baixos também. A despeito de tudo isso, mais as mudanças de músicos e as preocupações jurídicas, eles sobreviveram, e chegaram lá. DMB era agora oficialmente uma grande banda.

Amplexos.


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One Comment

  1. Posted Tuesday, 2 October, 2007 at 10:39 | Permalink

    Eu também tenho uma preguiça danada de traduzir coisas viu? Mas foi bom ter lido esse pedaço do artigo, vou ler o resto, eu gosto muito da banda!!
    Beijos!!

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