Ontem escrevi sobre a briga do Kassab com as “casas de tolerância”, e hoje, resolvi rever um filme que marcou minha vida e tem tudo a ver com a história do Kassab. Irma la Douce, dirigido por Billy Wilder, e estrelado por Jack Lemmon e Shirley MacLaine.
O filme se passa em Paris, na região do Mercado Municipal, em uma rua (fictícia, até onde pude apurar) chamada Rue Casanova. Simplesmente uma rua coalhada de prostitutas, com um hotel e um Bistrô, chamado Chez Moustache, de propriedade do Moustache, que é um dos personagens mais carismáticos do filme.
Basicamente, é a história de Nestor Patou, um policial honesto, que perde o emprego por prender um monte de prostitutas, que já faziam parte do esquema da vida de Paris. Aquela coisa que todos sabem que acontece, mas todos fazem vista grossa, pois todos são beneficiados e ninguém é prejudicado, sabe Kassab? Aliás, nesse techo tem uma frase do Moustache que é sensacional:
Shows you the kind of world we live in. Love is illegal - but not hate. That you can do anywhere, anytime, to anybody. But if you want a little warmth, a little tenderness, a shoulder to cry on, a smile to cuddle up with, you have to hide in dark corners, like a criminal. Pfui.
Pois bem, nosso herói perde o emprego e volta ao Bistrô de Moustache, e se mete em uma briga com o cafetão de Irma. E ganha, meio que por acidente. E assim, ele se torna o cafetão de Irma. Só que ele está totalmente apaixonado por ela, ela não deixa ele trabalhar, o sustenta com o dinheiro de seus programas. E ele se mata de ciúmes dela, a cada vez que ela pega um freguês.
Aí, ele se disfarça de Lord X, um inglês que paga à Irma FR$500 (é assim o símbolo de Francos?) para ela ser só dele e passar a noite jogando paciência com ele. Ela obviamente dá o dinheiro para Patou, que precisa arrumar um jeito de ganhar os quinhentos mangos por semana para dar a ela.
Assim, ele vai se matar de trabalhar no Mercado, enquanto Irma dorme. Por conseqüência, está cansado demais e não compareçe cumpre com suas obrigações maritais. E Irma fica enciumada.
O resto, vou deixar para vocês verem no filme. Uma direção exemplar de Wilder, que já havia trabalhado antes com Lemmon. Originalmente, Irma seria interpretada por Marilyn Monroe, mas ela morreu pouco antes de começarem as gravações. O filme foi baseado em um musical de 1956, mas Wilder quis filmá-lo como uma simples comédia. Bom para nós, que ganhamos as tiradas de Moustache, que invariavelmente terminavam com: But that´s another story!
A Shirley MacLaine aceitou o convite sem sequer ler o roteiro, pois confiava na dupla Lemmon-Wilder. E isso nos brindou com uma Irma simplesmente maravilhosa. É um colírio para os olhos ver Irma desfilando seus decotes ousados para a época, usando aquela langerie verde estonteante. Sensualidade pura, sem um pingo de vulgaridade, apesar de fazer o papel de uma prostituta. Mulheres, aprendam com Irma! (Obrigado ao Cozido pela lembrança)
Amplexos.












One Comment
Só faltou falar da lingerie verde de Irma.
Bingo. Me lembrou de um ponto importante. Merece uma edição do Post