Então. Dia 23/07/2007, final do Grande Prêmio da Europa de F1, vence Fernando Alonso. Um pouco antes de cruzar a linha de chegada, ele trava um duelo na pista com Felipe Massa, e os carros chegam a se tocar. Felipe levou a pior e chegou em segundo.
Não Felipe, você não pode tentar vencer a prova…
Quando chega no Parc-Fermè, Alonso desce do carro, aponta para a marca de pneu na lateral e faz sinal de negativo para a câmera. Quando estão se preparando para o pódio, os dois discutem intensamente, falando em espanhol. Alonso reclama com Massa e este responde mais ou menos assim: Tá reclamando de quê? Você ganhou e está reclamando?
Bom, chegam na coletiva e o Alonso afina, pede desculpas ao Massa e contemporiza. Mas a coletiva não passa para todos os países (aqui no Brasil é um exemplo), e nem todos que viram a corrida viram as desculpas dele.
O que isso tem a ver com o Kassab? Bom, o Alonso jogou para a torcida, usou imagens para mostrar como ele é bom e como ele preza o jogo limpo (mesmo tendo feito aquela cachorrada com o Hamilton uns dias depois, mas isso é outra história) tentando mudar o vento a favor dele no campeonato.
E o que esse prefeito está fazendo? Exatamente a mesma coisa. Rola a piada na Internet: O avião pousa na pista com defeito, não consegue frear, bate no prédio, morrem 200 e quem vai preso? O dono do puteiro.
Vamos ser racionais. Prostituição no Brasil não é crime. Inclusive é profissão regulamentada no Ministério do Trabalho. Segundo o artigo 229 do código Penal, é crime explorar a prostituição, ou seja, “Manter, por conta própria ou de terceiro, casa de prostituição ou lugar destinado a encontros para fim libidinoso, haja, ou não, intuito de lucro ou mediação direta do proprietário ou gerente”. Por esse texto, prender o dono do Bahamas e fechar o café Millenium foram atitudes corretas.
Mas convenhamos. Porque então não se faz uma cruzada contra as casas de prostituição e fecham todas. E nem precisa investigar muito, basta pegar um desses folhetos em qualquer hotel da cidade. Simples: vamos fechar os mais famosos, e de preferência na frente das câmeras, como o Alonso fez.
Eu particularmente acho isso tudo uma hipocrisia. Vamos ver o caso do Bahamas. As garotas de programa que vão lá pagam para entrar. Sim, elas pagam como qualquer outro freguês. E conseguem seus clientes lá. O Bahamas mantém quartos e os aluga aos clientes. Mas se o cliente quiser sair com a menina dali, ele pode. Se ser prostituta é legal, não vejo como esse modelo pode ser ruim.
Convenhamos, explorar a prostituição é estipular preço, fixar metas de faturamento, fazer a menina trabalhar exausta, em condições precárias de atendimento médico e de higiene. Isso é explorar. Fazer o que esses locais que foram fechados não é explorar, é auxiliá-las a ganhar seu sustento. E como não existe almoço grátis, o dono da casa tira uma grana também. Isso é ruim?
Vamos deixar esse puritanismo falso para os EUA, que são mestres nisso. Sexo faz parte da vida, e prostituição e casas de prostituição não apareceram ontem. Se acabarmos com as casas como as que foram fechadas essa semana, a Indianópolis e a Augusta vão ficar cheias de meninas quase nuas vendendo seus corpos. E nem me digam que isso tudo é por conta de 2008 ser ano eleitoral, pois não acredito que o Kassab esteja fazendo esse barulho todo para ganhar propaganda de graça.
Amplexos.












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[...] Porque o Alonso e o Kassab são parecidos [...]