Minha experiência surreal nos aeroportos no fim de semana

Eu viajo muito. Passei dois anos vindo de Curitiba para São Paulo toda segunda-feira e retornando toda sexta-feira, fora as viagens para outros locais, no meio da semana. Congonhas sexta-feira no fim da tarde é um velho conhecido, e acreditem, mesmo sem o apagão aéreo é muito complicado.

Pois a quantidade de viegens que faço diminuiu bastante, hoje moro a 600m do meu trabalho, e não mais a 400km. Praticamente só viajo para Curitiba para ver ELA. Esse fim de semana foi dia de vê-la e, apesar do medo de ficar o fim de semana inteiro no aeroporto, eu resolvi encarar. Me programei para ir no sábado pela manhã, em um horário bem cedo, e voltar bem tarde no domingo, de forma a aproveitar o máximo.

Sempre tive a sensação de que as pessoas que trabalham na área de aviação, seja lá em que cargo, acham que os passageiros são um monte de imbecis, aquela coisa de aturar, porque não dá para ficar sem eles. Pois bem, tive mais uma prova disso nesse fim de semana. E também me provaram que eles na verdade são um bando de macaquinhos treinados que agem como foram mandados, sem nem saber o que e porque estão fazendo.

Vou contar. Acordei atrasado (idiota!) e tudo começou mal, porque já tive de sair correndo, e nem vi o que coloquei na mala. Chegando no aeroporto, estava na minha vestimenta clássica de aeroporot, ou seja, iPod nos ouvidos. Coloco o som bem baixo e desligo a cada vez que vejo um funcionário da Companhia Aére se aproximar. Ninguém passou perto, e, em dez minutos eu estava no guichê. “Seu vôo das 6:35 foi cancelado, o senhor vai na empresa Gol às 7:40″, falou o energúmeno cortês funcionário. Eu reclamei que isso era um absurdo, que estava indo cedo porque precisava e questionei o porque, já que o aeroporto de Curitiba estava aberto. Resposta: Nenhuma. Ficou me olhando com cara de bobo.

Resignado, e com tanto sono que nem mesmo vontade de brigar eu tinha, fui fazer o check-in na Gol. Mais dez minutos de fila, e aí começou o surrealismo. Minha carteira de motorista, que era o documento que eu tinha levado, estava vencida. Carteira modelo novo, com foto, número do meu RG e número do meu CPF. Escrito em vermelho: Exame de Saúde Válido até: XX/XX/XXXX. Ou seja, o que vence é meu exame de saúde, não a minha identificação. Pois ela não me deixou fazer check-in, alegando que a infraero me barraria no Raio-X. Por sorte não moro longe de Congonhas, e 20 minutos e R$45,00 depois, estava eu no mesmo guichê. Disse para ela, em tom claramente jocoso: “Se ninguém pedir meu documento no Raio-X eu volto aqui para você me reembolsar meus R$45, ok?” Resposta: “Isso não faz parte dos procedimentos da Companhia, Senhor.” Melhor nem tentar explicar.

Raio-X. Ninguém pede meu documento. Mas…novo procedimento para laptops. Agora todos os laptops devem passar fora da mala, mochila ou sacola. Minha pergunta aos funcionários: “Mas isso não é um Raio-X? Não dá para ver o que tem dentro da mochila?” Resposta: “Sim, mas é o novo procedimento.”

Chego próximo ao portão 10 e resolvo consultar o painel para verificar se o vôo está atrasado. Lá consta que está no horário e que o portão é o 18. Pergunto ao funcionário da Gol: “Qual o portão que está valendo?” Resposta: “Até segunda ordem é o 10 mesmo, senhor.” Sentei, e, mal acabei de colocar minhas coisas ao meu lado, o MESMO FUNCIONÁRIO pega o microfone e diz: “Senhoras e senhores do vôo XXXX para Curitiba, embarque imediato pelo portão 18.” E fui eu para lá, já que eu era o único otário passageiro que estava no portão 10.

Finalmente no avião, já no meio do vôo, a última do dia. Essa foi bonita. Meu celular é um Motorola A1200i, que é um smartphone. Como todo Smartphone, ele tem um “Airplane Mode”, que desliga os circuitos de transmissão e recepção e de Bluetooth. Estava eu em uma atividade importantíssima (jogando Pinball) e a aeromoça diz: “Senhor, celulares devem permanecer desligados por todo o vôo.” Respondi que o celular estava desligado, o que estava ligado era um minicomputador (melhor não falar PDA). Resposta: “Até que existam estudos conclusivos sobre isso, a norma do DAC é manter os celulares desligados”. Eu olhei para ela com aquela cara de quem não está acreditando no que ouve. Desliguei e virei para o lado para dormir.

Na volta ainda teve mais uma. Avião totalmente vazio. Uns 20 passageiros em um avião que carrega umas 120 pessoas. Ninguém ao meu lado e ninguém atrás de mim. Ainda assim a robotizada aeromoça me manda levantar o encosto da cadeira para aterrisar (a gente levanta o encosto para não atrapalhar o passageiro de trás em caso de emergência).

Tudo bem. Eu concordo com o Ricardo Bicalho quando ele fala aqui que tudo que pudermos fazer para melhorar nossa segurança vale a pena, mas o que precisa se fazer é respeitar o passageiro. Tratá-lo como um imbecil só faz despertar a revolta e incompreensão em casos como nosso apagão aéreo.

Amplexos.

Compartilhe este artigo:
  • E-mail this story to a friend!
  • TwitThis
  • del.icio.us
  • Facebook
  • Google
  • LinkedIn
  • Technorati
  • StumbleUpon
  • Digg
  • YahooMyWeb
This entry was posted in diversos, histórias, notícias. Bookmark the permalink. Post a comment or leave a trackback: Trackback URL.
1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (No Ratings Yet)
Loading ... Loading ...
Este artigo foi lido 83 vezes

2 Trackbacks

  1. [...] Minha experiência surreal nos aeroportos no fim de semana [...]

  2. [...] aí pelo Brasil. Cheguei a pegar o vôo 1907 quando voltei de Manaus, e nada. Está certo que passei uma experiência surreal em um fim de semana, mas foi mais engraçado do que [...]

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *

*
*
Assinar Comentarios

Subscribe without commenting