Usualmente eu sou um cara que evita discutir qualquer questão muito polêmica que possa trazer à tona os nossos instintos agressivos. Porém às vezes eu abro exceções à isso (normalmente acabo me dando mal, mas eu sou assim mesmo).
Então, estava eu lendo os meus feeds, me preparando para ir dormir, quando chega um post do Blog do Cardoso, falando sobre a questão da invasão dos estudantes na USP. É o segundo do dia, o outro é esse aqui. Estava tudo tranqüilo, eu apreciava a ironia típica do Cardoso, quando no final ele se refere à um post em outro Blog, um que eu não conhecia.
Curioso como sou, lá vou eu ver a opinião de mais uma pessoa a respeito. O blog é o Chá de Hortelã e o post é esse aqui.
Liliana, mil perdões, não nos conheçemos, mas, embora sem o mesmo estilo do Cardoso, eu sou obrigado a discordar de você em quase todos os pontos.
Concordo que as universidades devem ser livres, devem ser bastiões de Liberdade de Pensamento e devem nos trazer as novas idéias. Falta isso no Brasil realmente. Dou todo apoio a isso e pago meus impostos para que se possa financiar isso. Mas quero saber como esse dinheiro é gasto. Eu suei muito para ganhar os 30% que me levam, e não quero ele desperdiçado. Isso não é misturar Universidade com política, mas sim administrar os recursos financeiros. Em minha empresa, meu departamento tem total liberdade para criar soluções para os clientes, mas damos conta de cada centavo que aplicamos nisso.
Se os universitários que estudavam em Berkeley, em UCLA dentre outras no fim da década de 60 e início da década de 70 não tivessem um minimo de visão prática, não teríamos a internet agora, e não estaríamos expondo nossas idéias através dela. A palavra mercado está mal aplicada e/ou mal entendida nesta questão. Não quero que a genialidade do meio acadêmico gere lucros obrigatóriamente, mas quero que eles se lembrem que vivem em um mundo real. Acredite, convivo dia após dia com profissionais recém formados na USP que não têm a menos noção do que o mundo real é e do que precisamos fazer aqui. Conheci vários que voltaram ao mundo acadêmico por absoluta falta de adaptação ao mundo profissional.
O fato de ser um estudante naquela universidade não me obriga a seguir ordens de outros estudantes. Se eu quero entrar e sair da universidade sem me envolver em nenhuma outra atividade que não seja a educação pura e simples isso é um direito meu e ninguém pode me obrigar a fazer o contrário. Novamente, falo com conhecimento. Estudei no CEFET-RJ no fim da ditadura militar, e fiz parte do Jornal dos alunos, censurado mês após mês e do diretório acadêmico, que volta e meia tinha que “ajoelhar no milho” na sala do Edmar (Reitor eleito pelo ministro da Educação).
Não vi neste evento nenhuma agressão à nenhuma liberdade de pensamento Científico, somente uma cobrança. Você fala que o aluno tem que respeitar a decisão da maioria, então, precisa também lembrar que bem ou mal, a maioria elegeu aquele que está cobrando, e ele o faz investido da autoridade que o povo lhe deu. Se não quer ser cobrado por ele ou dessa forma, logo logo teremos novas eleições. É assim que funciona em um estado de direito.
No fim, quanto ao Coronel, concordo plenamente com você, mas, convenhamos, você conheçe o Cardoso melhor que eu, e eu acho que ele estava era de sacanagem.
Liliana, espero que minha discordância não faça você criar antipatia por mim, pois ainda não nos conheçemos. Amanhã vou ler o seu blog com mais atenção para tentar te conhecer melhor. Quem sabe eu não escrevo um outro post com comentários sobre algo do seu blog.
De qualquer forma, acho esta discussão extremamente saudável, pena que não estamos todos no Bar Luiz, com uma caldereta na frente.
Amplexos.












3 Comments
Parabéns pelo texto. Concordo com você.
Obrigado Fabio. Até que a confusão que me meti não foi tão grande assim
Finalmente, após perambular por vários blogs, finalmente UMA opinião inteligente. Nem o narcisismo do Cardoso, nem a ingenuidade da Liliana.
E seu estilo pode ser melhor que o do Cardoso sim (não me leve a mal, gosto do blog dele também, mas as vezes ele apela), no worry.
Obrigado pelo elogio moch, espero continuar a corresponder às espectativas.
Concordo em gênero, número e grau com você, principalmente quando diz que as Universidades Públicas não preparam o estudante para o mundo real… Além do desperdício que acontece nesses lugares (falo com um mínimo de conhecimento, trabalho em uma Universidade Federal). Vim por um link do Cardoso, mas passarei a vir mais vezes ler seu blog.
Dalmo,
Muito obrigado pelo comentário. Espero te ver aqui mais vezes. Opine sempre, é assim que “filtro” os assuntos que coloco aqui.
Amplexos.