OK, a localização não era boa. O local não era bonito também. Era bem improvisado.
Mas cara, como aquela mulher cozinhava bem. E aquela parede cheia de garrafas de tudo quanto é bebida. E aquela dose de Logan com que éramos recebidos?
Eu almoçava lá quase todo dia, pois trabalhava bem perto, mas o almoço não era a coisa mais interessante lá. O quente era a feijoada de sábado.
Saíamos do Via XV quase de manhã, ou então do bar do “Uh! Cabôco!” direto para lá. Alguns dormiam na mesa por um bom tempo, mas isso sempre fez parte do folclore.
Lembro de um dia, meu aniversário. Depois de tomar um veneno e sair sem nem saber como do Via XV, dormi algumas poucas horas e fui continuar a história lá. Cheguei às 11 da manhã. Saí às 5 da manhã do dia seguinte. No meio tempo, comemos a feijoada, ficamos todos bêbados, melhoramos. O dono saiu para ir ver o jogo do Coxa e nos deixou lá. Voltou e fizeram jantar. Jantamos e tudo começava novamente.
Era uma época de muita harmonia entre aquele grupo de pessoas, apesar de que certa vez tivemos que assistir a cozinheira ser perseguida pelo restaurante com uma faca. Brindamos a isso e continuamos bebendo.
Vinil. O som saia de uma vitrola velha, mas a coleção de LPs que ele tinha era memorável. E ele tinha orgulho disso, ia nos mostrando disco por disco contando histórias de quando era maitre no Rio de Janeiro, com aquela voz rouca de muito cigarro e cachaça.
Um dia, portas fechadas. Sem aviso. Ninguém sabe. Ninguém viu. Custamos a descobrir o que aconteceu. Tentaram recomeçar, mas não era a mesma coisa. Acabou de repente, como começou. Ali começei muitas amizades, conheci muita gente boa e muita gente ruim também. Era um excelente complemento para o Via XV. Aliás, lá tive o primeiro encontro com a mulher que sempre vai ser a mulher da minha vida.
Onde será que anda aquele velho safado?
Luis, esse foi para você.
Amplexos.











